Maternidade · Reflexões

Você sabe viver o hoje?

É possível que eu seja uma pessoa um tanto quanto ansiosa. Sim, sempre fui e sempre tive que lidar com isso. Nem sempre foi um caminho fácil, mas as coisas foram ficando mais claras e hoje eu sei exatamente identificar os momentos que estou mais agitada e o que posso fazer para mudar isso.

Quer dizer que eu não sinto mais ansiedade? Longe disso. Mas quer dizer que as coisas que aconteceram comigo foram me norteando e me ajudando a me acalmar e me reconectar.

Não queria ser clichê, mas é incrível o quanto a maternidade me mudou nesse sentido (e em vários outros também, como é de se imaginar e podemos/devemos discutir em outras pautas).

Isso ficou evidente logo ali no início. Já grávida e mesmo super animada com tudo que seria novo: escolha das roupinhas, o nome do bebê (quer algo mais importante do que ser responsável pelo nome que a criança vai carregar pra sempre? Rsrs), as 90 opções de carrinhos, tipos de berço e decoração do quarto; mesmo com esse mundo de escolhas, eu conseguia voltar ao eixo da tranquilidade e pensar: ah, de um jeito ou outro, isso vai se ajeitar.

Já falei por aqui que eu sentia mesmo que era “com toda a alma, mas com toda a calma”. Passei a enxergar as coisas de um outro jeito e o primeiro deles foi entender que diante de tantas coisas que eu julgava muito importantes e que mereciam todo o meu empenho e nervosismo, nada conseguia combater o sentimento de estar gerando uma vida dentro de mim e ser de minha responsabilidade tudo que eu passava de emoções para aquele bebê. O tal do “a vida é mais” fazia mais sentido naquele momento.

Agora acelerando esse filme para o momento em que eu já tenho dois filhos, que me olham e me admiram mais do que tudo nesse mundo (ai tempo, não passa tão rápido, por favor), eu paro e penso que não faz sentido nenhum eu deixar os assuntos que fogem ao meu controle, impactarem o meu eu de forma tão intensa, sendo que nessa dinâmica da vida já tenho coisas acontecendo no “ali e agora” que exigem presença e calma para eu conseguir lidar com cada uma delas.

Nessa jornada de autoconhecimento, o tempo entre o término da segunda licença maternidade, saída do trabalho que eu estava há 6 anos e até a entrada no próximo desafio profissional foi de uma importância tão grande nestas descobertas e clarezas. Foi quase como se alguém acendesse uma luz.

Eu sinto que foi um período tão, mas tão bem vivido. Naquele momento, a incerteza do amanhã me ajudou a ter clareza na decisão do hoje. O tempo presente estava sendo tão gostoso, que mesmo cheio de dúvidas e alguns medos, eu sabia que ele merecia ser vivido em toda a sua grandeza (e mesmo essa grandeza sendo sentar no pátio do prédio com os dois meninos fazendo a sua soneca da manhã em cada carrinho, enquanto eu ouvia os pássaros e admirava a árvore aqui de baixo, pensando que era só uma manhã de uma terça-feira comum).

Poder vivenciar uma experiência tão rica, mesmo sabendo que era por tempo limitado até a nova caminhada profissional, me fez me entregar de corpo e alma a viver o momento como se não tivesse o amanhã. Toda aquela coisa de “na verdade não há”.

Foi daí que começou o meu bloco de notas de gratidão do dia do post anterior. Foi daí que eu comecei a de fato me forçar a estar ali no momento e ainda assim forçar a memória a reconhecer o que estava vivendo e criar uma lembrança forte daquilo tudo.

E foi daí que eu percebi que continuamos tendo só ó agora. Mesmo. O amanhã é incerto. A gente pode até ter a agenda do Outlook cheia de reuniões, o bloco de anotações cheio de tarefas da casa, mas num suspiro, as coisas podem mudar e a gente vai precisar se adaptar ao novo. Seja uma pandemia, seja uma morte inesperada, ou simplesmente um dia completamente chuvoso que derrubou a internet do bairro por 4h seguidas.

O quanto vamos viver do hoje é de nossa responsabilidade. A agenda está lotada, mas eu continuo fazendo diariamente o exercício de priorizar o que deve ser priorizado. Hoje, graças a Deus, tenho a oportunidade de trabalhar de casa. Sendo assim, mesmo com dias de reuniões seguidinhas e alguns estresses nas entregas, sei agradecer a benção de estar bem perto dos meus filhos, marido e cachorro. De estarmos seguros e com saúde.

Sei valorizar uma brecha de uma apresentação que deveria durar 1h, mas terminou em 30 minutos e curtir alguma brincadeira com eles, pois o amanhã é incerto. Estaremos em casa ainda? Continuarei acompanhando as descobertas? Os primeiros passos? Não sei! Hoje eu sei. Hoje sei que mesmo que muitas vezes bem mais corrido do que o meu coração queria, eu posso presenciar muitos momentos gostosos com eles. E é isso que vou fazer. E você? Sabe mesmo viver o hoje?

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