Maternidade · Me inspira · Reflexões

O que eu sou da minha mãe

Sou as melodias das músicas em todos os momentos do dia, aquelas que tocam durante o banho e que invadem a casa enquanto cozinho, arrumo e brinco com os meninos.

Sou o cuidado disfarçado de lembrança: o comprar algo que eu sei que agrada, que acalma, que diz “pensei em você”, mesmo sem ser necessário o pedido.

Sou o olhar atento, que lê as pessoas como quem lê um livro — identificando dores, sentimentos, gestos não ditos. E eu quase sempre acerto. Isso eu herdei dela.

Sou bilhetes, mensagens, palavras que abraçam e que lembram como é bom o cuidado e o zelo.

Sou o desejo de uma casa bonita, arrumada e cheirosa, mesmo que a minha ainda não alcance o nível da dela.

Sou a vaidade saudável. O me cuidar. Me valorizar. Me lembrar de que sou importante. O lembrar de que a minha mão eu não compro outra, mas a luva que vai o produto é só trocar.

Sou o “vamos levantar a cabeça” aprendido sem palavras, só observando. Aquele “já chorou, agora chega, é hora de agir!” A confiança de que nada é impossível para uma mulher e uma mãe decidida.

Sou quem para e admira uma flor, uma árvore, uma paisagem. Que valoriza cada pedaço da natureza e da calmaria.

Sou quem aprecia as coisas boas da vida, que reconhece o prazer de uma boa refeição, um vinho bem acompanhado.

Sou quem descobriu, depois de algum tempo e alguns questionamentos, o poder da solitude e de preservar um momento só meu.

Sou quem dança e quem se diverte. Quem curte a música como se ela falasse diretamente comigo. Sou a festa também, porque ela me ensinou a alegria.

Sou o zelo pelas pequenas coisas. Porque imagina estar com uma meia velha, torcer o pé e ter que ir assim pro médico? Ou mesmo viajar com um pijama velho, tocar o alarme de incêndio e descer assim, toda bagunçada? Ela me ensinou: até o imprevisto merece cuidado.

Sou a mulher que cresceu, formou sua família e que se vê, às vezes orgulhosa, às vezes imaginando que faria diferente, mas se percebe repetindo gestos, falas e manias.

Sou a continuidade sem deixar de ser própria.

Deixe um comentário