Reflexões

38 primaveras

Hoje eu completo 38 anos. Beeem mais perto dos 40! Isso é um pouquinho assustador ainda, não posso negar.

Não pela data em si, mas por parecer estar já tão “adulta” e ainda, mesmo que muito ciente de tudo que já conquistei até aqui, às vezes ainda me sentir a mesma menina lá de trás.

Tem sido uma linda jornada e eu gosto de repetir. Primeiro porque eu acho que quanto mais a gente agradece, mais as portas se abrem. E segundo porque eu realmente me sinto grata de cada pedacinho.

Como todas, ela não foi totalmente linear. A verdade é que nunca é. Algumas escolhas foram simples de tomar, outras me exigiram mais, me fizeram ponderar. Teve a mulher que eu era, a que eu fui me tornando e a que eu sigo descobrindo, pois sei que ainda virão muitas delas.

Mas o que eu sinto hoje é gratidão. Não no sentido gratiluz, mas daquela interna e profunda que, pela minha fé, me faz gritar ao mundo para que saibam do tamanho do poder dEle.

Sinto gratidão pela família que eu construí, e não a que simplesmente me coube, mas a que eu escolhi, dia após dia, nas refeições, nas brigas pequenas, nos abraços que resolvem o que a palavra não alcança. Pelo Felipe, pelos meninos, pelo Romeu, que escolheu a poltrona mais bonita da sala e vive como se soubesse de algo que a gente ainda está aprendendo.

Pela rotina que eu amo. Aquela que tanta gente quer fugir e que eu aprendi a habitar com carinho: o café da manhã cedo, o pôr do sol anunciado com “olha a cor do sol”, o jantar que ferve enquanto o dia fecha.

Pelas primaveras. Pelo interior. Porque a vida tem estações, e aqui eu posso perceber cada uma delas, enquanto me ensinam alguma coisa que eu não teria aprendido de outra forma.

E hoje eu quero te fazer um convite: não importa quantos anos você tem, não importa em que estação da vida você está agora.

Para um segundo. Olha ao redor.

Tem algo bonito aí que você está deixando passar? Um cheiro, uma luz, uma pessoa, um silêncio gostoso? A vida está sorrindo para você em algum canto, discreta, sem fazer alarde, esperando pacientemente ser notada.

Romantize. Sim, romantize a vida. As pequenas coisas merecem esse olhar. O café da manhã merece. A louça que você escolheu (e sim, que colocou pra jogo ao invés de deixá-la guardada esperando a ocasião especial) merece. A música que toca enquanto você cozinha merece. A flor que vai durar só mais alguns dias merece.

A vida é feita dessas coisas. E quando a gente aprende a vê-las — de verdade, com os olhos abertos e a cabeça quieta — ela fica mais bonita do que a gente imaginou que podia ser.

Eu aprendi isso aos poucos. Sigo aprendendo.

E hoje, com 38 primaveras, só tenho uma certeza:

Valeu cada uma delas.

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