Reflexões

Entre clichês e ciclos

Eu sou a favor do uso de alguns clichês. Dos mais diversificados. Da vida amorosa ao caminho profissional. Gosto de usá-los nas frases, mas também para me guiar em algum raciocínio. Conversa de louco? Quase! Mas foi pensando no famoso “mãe é tudo louca” que me veio essa relação.

Bastou chegar em casa cedinho, após a academia e encontrar aquele silêncio profundo – que normalmente eu acharia maravilhoso – para eu me dar conta de que encerramos um capítulo: agora o caçula também vai para a escola, e a casa que logo cedo ficava lotada de carrinhos, rampas e muita banana com pasta de amendoim, ficou quieta, silenciosa, quase estática.

Foi bem rápido. Logo percebi o aperto na garganta, os olhos apertando, a lágrima chegando. Não deu nem tempo de segurar e ela logo escorreu. Realmente esse tempo acabou. Foi tão gostoso ter ele aqui pertinho e curtir essa proximidade que o santo home office me permitiu. Claro que não foi só paz e tranquilidade. Mas é claro que não! Nesses muitos dias tivemos alguns choros, correrias de agenda e tensões; assim como tantas gargalhadas, passeios pelo condomínio, parceria nas programações matinais e o melhor companheiro de café da manhã infinito (começa na fruta, vai pro pão, volta pra fruta, vira pro suco e por aí vai).

Ontem mesmo eu pensava em como nossa vida é cíclica. Em tudo. Todos os caminhos. A gente as vezes não percebe ou faz muito esforço para ser diferente, mas é basicamente isso: todas as coisas tem começo, meio e fim.

Faz parte do processo natural. E quando nos damos conta de que é isso mesmo, a chance de aproveitarmos o caminho é muito maior. Isso porque sabendo do inevitável fim, nos dedicamos a aproveitar mais o meio. Seja na alegria, nos momentos gostosos, memórias importantes; seja em acalmar o coração de que vai passar. Tem um fim.

Eu vivo em um exercício constante de tentar deixar as coisas mais leves. E não porque sou uma pessoa evoluída como muitas das que tem por aí, mas puramente por ser ansiosa demais e ter uma tendência um tanto irritante de pensar o tempo todo. Em cada pedaço. Em cada cenário. Normalmente no futuro e quase sempre no famoso clichê de “sofrer por antecipação”.

Tem uma frase muito boa que a Rafaela Carvalho usa (alô, se tiver você estiver lendo – ah claro – volta para as redes sociais, por favor!!), que diz “se você se estressa muito com um problema antes dele acontecer, você basicamente vive o mesmo problema duas vezes” e é sobre isso. Quando a gente está de fato ocupada em viver o hoje, a situação, ou que seja o problema; não sobra tanto tempo para os pensamentos mirabolantes. Nos resta apenas estar ali. Presenciar.

Sigo nesse caminho, sigo relembrando e me dedicando a fazer o exercício diário de viver os momentos com profundidade e a certeza de que as coisas seguem o seu ciclo.

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