Reflexões

Pazes com o passado e planos para o presente

Alguém mais já reparou que na tal “vida adulta”, não existe um tempo de tranquilidade pura. Aquela sensação de conforto duradouro, de saber exatamente como as coisas são, estão e ficarão?! Eu realmente não sei como funciona do lado daí, mas posso dizer que do lado de cá é batata. Batata mesmo. Basta eu sentir que “agora vai” e tudo vai rodar conforme a música (um santo alívio para a controladora que habita em mim), que chega aquela notícia repentina. Aquela mudança de rota. Aquele desvio de caminho. Aquela pequena avalanche.

Não sei se é uma pegadinha do céu, do tipo: “Não se acomode não, menina. (adoro chamar a adulta daqui de menina, me deixa!) Vamos para o próximo desafio”. E assim vamos. Rumo a nova reviravolta.

Nesse momento estamos vivendo por aqui um fechamento de ciclo. E como eles são difíceis, não é mesmo?! Isso porque fechar ciclos assume que aquilo que conhecemos, do jeito que conhecemos, não estará mais lá. Não será mais da forma como era. Será preciso mudar, reinventar, traçar novos caminhos.

Quando precisamos fechar as portas, admite-se que sim, poderão haver desconfortos, incômodos, novos certos e errados. Mas também se abre um mar de novas oportunidades. Elas estão ali, embora no começo seja um tanto difícil de enxergar. É como se a gente fosse regar o jardim, mas ao encher o regador, cai água no nosso pé. “Poxa, não acredito! Bem agora! Minha sandália de corda. Não creio!” Só que de repente a gente se dá conta que está quente. Um super calor, e que mesmo aquela mancha de molhado no sapato novo, pode trazer uma sensação gostosa. Pode ser um refresco. E ter os pés molhados enquanto rega a horta pode ser o alívio que o dia precisava ter. Sem contar que pode secar até mais rápido do que a gente esperava.

Mas veja só, não acho que devemos simplesmente ignorar os desafios e ligar a cheerleader otimista que existe em nós. Não. Não mesmo. É preciso, e até mesmo necessário, respeitar os sentimentos do processo. Deixar sentir a tristeza, chorar se precisar. Como dizem por aí: está tudo bem em não estar bem.

Viva este momento. Sinta a dor caso ela esteja presente. Mas cuidado. Não caia na cilada de apenas se apegar às lembranças do passado.  É cientificamente comprovado que a emoção que sentimos com a perda de algo é muito maior do que com o ganho e temos a facilidade de, em situações como essa, lembrarmos apenas do que era bom.

A gente simplesmente apaga completamente qualquer incômodo ou desconforto, mesmo que ele já tenha aparecido inúmeras vezes. A gente se esquece. Foca apenas na lembrança que vem pra dar aquele leve soco na boca do estomago e nos colocar em uma posição de “nunca mais vai ser assim”.

Quando esse momento chegar. É hora de começar o balanço. Colocar a cabeça pra pensar de verdade. Parar e listar as coisas. Tudo o que é muito bom, tudo o que já não estava legal, tudo o que poderia ser diferente. O exercício não é para ofuscar as memórias positivas, de forma alguma, mas serve para dar mais clareza no todo. Para ser mais real, mais sincero.

Nesta jornada, não se pode esquecer que todo final implica a certeza de um novo começo. E há de ter algo maravilhoso em começos. Em novidades. Novas rotas. Novos combinados. Li recentemente um trecho de Glória Hurtado no qual dizia: “O objetivo principal do fechamento de ciclos é ‘fazer as pazes’ com o passado imediato, para seguir em frente sem se sentir afetado pelas experiências vividas ou pelas lembranças que invadem o seu presente (…) é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Que a gente consiga finalizar os ciclos. Fechar o caderno e começar uma nova história, capitulo, ou apenas mais um parágrafo, mas certos de que as surpresas que nos esperam, virão para nosso bem.

“Um grande erro é arruinar o presente lembrando de um passado que não tem mais futuro”. – Autor anônimo –

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