Reflexões

Quebra-cabeça de 100 peças

E não é que foi assim? Um ano. Um ano todinho que decidimos, praticamente do nada, mudar de cidade. Assim, em uma conversa despretensiosa durante um jantar, em plena pandemia. Sem muito contexto, minha mãe comentou como deveria ser gostoso morar no interior, em uma casa de condomínio. Pronto. Bastou. Foi o suficiente para criar as faíscas de uma ideia, até então mirabolante, na cabeça do meu marido e muitas borboletas no meu estômago.

Não foi tão planejado, não foi com muitas planilhas de excell (embora ele já tivesse desenhado seus muitos cenários), mas com uma vontade de testar um novo caminho, algumas certezas dos novos modelos possíveis de trabalho, muita vontade de nos conectar ainda mais como família e com a natureza, que nós decidimos que era hora. Esse era o nosso momento. Aquele que aparece e que muitas vezes simplesmente deixamos passar. Ou por medo. Ou por insegurança. Mas muitas vezes por não perceber que é um chamado.

Mudança. O ato de dispor de outro modo. Dar outra direção. Transferir para outro local. Transformar. Quando a gente para e presta atenção no grande significado da palavra mudança, parece que ele mesmo fala por si. É um novo rumo. Um novo jeito. E tem sido incrível viver cada etapa dessa experiência.

Como toda e qualquer mudança, o começo é complexo. Um momento de adaptação. De tentar fincar algumas raízes, ir atrás das pequenas coisas que dão aquela sensação boa de “terreno conhecido”, até mesmo confortável. Para pessoas (levemente) controladoras, pode ser um belo desafio, pois é necessário esperar assentar as coisas para conseguir entender e aceitar o novo ritmo. Da casa. Da rotina. Das crianças. Dos serviços. De praticamente tudo.

Mas ao longo desse caminho, é possível já perceber as pecinhas se encaixando, assim como em um quebra-cabeça, que você enxerga todas que tem a mesma cor, ou que não possuem o lado do encaixe e sabe que é por elas que deve começar. É exatamente assim. Você ganha uma florzinha daqui, vivencia um ninho de passarinhos dali. Para pra ver as estrelas e a lua mais redonda que já viu. Nota o tempo passar. Percebe os ciclos da natureza, aquela tal de estação, sabe? Mesmo que bastante instável, é possível perceber o calor forte, as chuvas, as flores e os frutos mais belos, até que tudo fica amarelo, vermelho e não importa o que você faça, seu jardim estará sempre coberto de folhas (varra o quanto varrer).

E quando você menos percebe, isso tudo faz muito mais sentido pra você. Para o que acredita, valoriza e até mesmo para o que sonhou. Existe sim bastante saudade dos familiares, amigos, até mesmo de determinadas programações ou lugares, mas quando colocado na balança, fica difícil não pensar nesse caminho com muito conforto no coração e um sorriso gostoso de satisfação.

Se alguém me perguntar? A resposta já está pronta! Tem vontade? Surgiu a curiosidade? É possível ajustar as rotas, equilibrar as pontas, definir uma nova jornada? Se joga! Mesmo! Quando você notar, já montou o quebra cabeça completinho de 100 peças e deixou ele ali na mesa, por alguns dias, para passar e admirar o belo trabalho realizado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s