Reflexões

O invisível presente

Hoje lendo uma das muitas newsletters que eu assino, no caso a Vou te falar da Carolina Ruhman Sandler, vi um trecho que logo me fez sentir uma vontade enorme de escrever. Era sobre uma passagem da psicanalista Helena Cunha di Ciero que aborda a mãe invisível. Ela fala sobre o poder da mãe deixar a presença dela, mesmo quando não está por ali, uma vez que “Uma mãe é todo um ambiente que ela proporciona numa casa. Então ela não é só aquela figura viva. Uma mãe é a flor que está no vaso, é o papel higiênico que está no banheiro, é o supermercado.”

Gosto de pensar que minha presença é tão forte e verdadeira que esses “traços de mãe invisível” são percebidos e sentidos de forma ainda mais profunda.

Me vejo invisível ao conferir os tamanhos das roupas por estações e garantir que o pijama de frio ou a sunga estão servindo. Ao me preocupar em, não apenas fazer o bolo saudável e delicioso para eles, mas para ser em algum momento que eles estão na casa para que eles possam sentir o cheiro do bolo e aos poucos irem registrando essas sensações no bloco de memória interna deles. Ao ter toda necessaire de remédios em dia, com mais de uma opção de remédio para a febre e diversas homeopatias. Ou por ter uma sessão de itens de papelaria (que foi providenciada em um ato de puro desespero nas férias de julho) para que eles possam exercer a criatividade e o brincar livre entre papeis, cola e produtos recicláveis.

Me vejo invisível ao escolher o cardápio do almoço ou comprar as frutas que cada um gosta mais (uva para um, melão para o outro). Ao mandar bordar o poema tão incrível que cada um ganhou do pai, antes mesmo de nascerem e poder eternizar coisa tão linda. Ao fazer sacolinhas com surpresinhas (das mais bobas e simples – como um saquinho de pistache ou uma paçoquinha) para eles abrirem nas minhas poucas viagens à trabalho. Me sinto invisível por organizar tudo e tanto o tempo todo. Atender as demandas da escola, das festinhas e de tudo o mais que surge por aí.

Sinto que tudo isso tem um papel tão importante, que nada poderia trocar. A presença nem sempre é física em todos os momentos do dia, mas é totalmente constante.

Que meu poder de ser invisível encha o coração deles de amor e segurança, para que um dia, mesmo quando eu não estiver mais aqui, eles possam sentir minha presença invisível em tudo que fazem e no que eles se tornaram.

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