Reflexões

Obrigada, 2025: entre o conforto do sofá e a turbulência do avião

Bastou começar a ouvir os guizos de Natal (e viva o filme Expresso Polar – lindo para ver com as crianças) para eu começar a sentir a tão conhecida pressão anual pelo texto de fechamento do ano!
Sim, aquela pressão que é toda minha, mas que faço questão de honrar, parando para refletir sobre o balanço do ano que se encerra!

Esse ano… ah, esse ano não foi exatamente gentil, mas também não foi dos mais duros. É o que acontece nos períodos de mudança, não é mesmo? Nem sempre elas são confortáveis, macias como um sofá gostoso, mas, na maioria das vezes, são primordiais para que a gente cresça e valorize cada vez mais o que tem.

Acredito que posso dizer que foi um ano completo, um ano como a vida costuma ser. Não só de alegrias, não só de tristezas, não só de conquistas, não só de desafios.

As malas foram feitas e os destinos, deliciosos. Quantas memórias boas — seja em hotel fazenda, viagens em família, a casa deliciosa na praia na celebração dos 40 anos da minha irmã — mas a principal foi a realização de um sonho: estar na terra do Mickey com meus filhos e meus pais (e, sim, minha irmã fez muita falta nesse sonho). Como eu fui descaradamente feliz nesses dias. Ainda mais pelo fato de estar ali, de alguma forma, totalmente descomprometida com o futuro profissional e me entregando de cabeça a cada dia dessa experiência. Eu sinto saudades diárias desses momentos e sei que eles criaram uma sementinha forte aqui dentro.

Ainda assim, tivemos os momentos mais turbulentos — daqueles em que a gente fecha os olhos e aperta as mãos nos braços da poltrona do avião. Alguns meses mais intensos, cheios de emoções que eu nem sempre soube nomear. Angústias que pesavam como se eu estivesse carregando o coração nos braços. Sentimental? Talvez. Dramática? Quase nunca.

E as dúvidas, então? Pareciam brotar do nada. Cada passo era acompanhado por um “será?”, e às vezes eu mesma me perdia entre tantas perguntas. Costumo brincar que é muito difícil viver “aqui dentro dessa geminiana”.

Ainda assim, mesmo no meio desse labirinto emocional, sempre tive a clara certeza de que os meus caminhos não são guiados apenas por mim e que, cada vez que eu confio nEle, as melhores coisas acontecem. Não é fácil assumir que não temos o controle das situações, mas eu sempre tive um desejo sincero — quase teimoso — de acreditar que coisas bonitas ainda estavam a caminho. E não é que as coisas foram clareando e revelando seus sentidos? Sempre têm seus sentidos.

Agora, olhando para trás, não digo que saí ilesa. Mas saí mais consciente de mim, mais honesta com o que sinto, mais suave até nas minhas tempestades. E percebo que crescer dói, mas também fortalece — mesmo quando a gente acha que não vai dar conta.

Então eu concluo este ano assim: com um suspiro profundo, um carinho no próprio ombro, um sorriso verdadeiro nos lábios e uma esperança tranquila de que o próximo capítulo será ainda mais leve. Não porque tudo vai magicamente se resolver, mas porque estou aprendendo a me ouvir, a me acolher e a seguir — mesmo quando as pernas tremem.

E, se tem algo que eu levo comigo, é isso: o coração, apesar de tudo, continua acreditando no melhor. E talvez acreditar já seja metade do caminho.

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