Foram doze anos estudando no mesmo colégio e, depois, vinte anos vivendo a vida pós-formatura, até que decidimos organizar um reencontro da turma de 2005, no lugar que marcou nossas vidas.
As expectativas não eram das mais altas. Sabe como é o processo de organizar algo: muitos concordam, outros discordam, a data muda, o evento muda e, no meio de tudo, surge a dúvida — será mesmo uma boa ideia? Mas já não dava mais para voltar atrás. Fomos nós que começamos essa bagunça e iríamos até o fim.
No dia marcado, eu estava animadíssima para apresentar o colégio aos meus filhos. Assim que cheguei e vi o letreiro, ainda que a marca tenha mudado um bocado ao longo dos anos, senti um nó na garganta. Quanta memória tenho dali. Em seguida (e previamente combinado entre nós) as amigas começaram a chegar, e em poucos minutos já estávamos tirando fotos pelos corredores, rindo como se o tempo tivesse dado uma pausa só para nos ver ali novamente.
O bonito de reencontrar pessoas depois de tanto tempo é perceber que as amizades que resistiram, e essas são raras, carregam um valor imenso. Somos sete meninas, hoje mulheres, que já viveram muito e compartilharam quase tudo. A adolescência é uma fase turbulenta, cheia de descobertas, dramas e pequenos grandes acontecimentos. E ter por perto pessoas que te conhecem como ninguém, que viram de perto quem você foi antes de ser quem é, faz toda a diferença. Acho que a gente nunca tinha percebido o tamanho dessa força até alguém de fora apontar o quanto é bonito termos mantido esse laço até hoje.
Mais do que rever rostos conhecidos, foi reviver sensações. Caminhar pelos corredores, entrar no laboratório de biologia, no teatro, nas salas de aula e sentir aquela alegria genuína de quem viveu ali anos inteiros de descobertas e afetos.
Dos trinta e poucos que estiveram presentes, arrisco dizer que a grande maioria saiu com o coração quentinho. O tempo passou, mas há vínculos que seguem firmes, mesmo que à distância. E ainda que com algumas dessas pessoas queridas a gente não mantenha o convívio, foi delicioso passar uma manhã colocando o assunto em dia, entre brigadeiros e água de coco, entre filhos, maridos e esposas, e perceber que tudo o que vivemos segue ali, intacto, à espera do próximo reencontro. Que, desta vez, promete acontecer muito mais em breve.