Reflexões

Pequenos gestos, grandes orgulhos

Acredito que, entre os milhares (pode sonhar, né?) que leem esses textos, alguns também vivam a doce aventura que é educar seres humanos com dedicação e carinho, na esperança de que se tornem pessoas gentis, honestas, empáticas — e de coração realmente bom.

Educar é uma jornada intensa. Muitas vezes achamos que estamos fazendo tudo errado, e raramente paramos para nos orgulhar do resultado. Essa semana tive um desses raros momentos: aquele calorzinho no peito e a sensação de que, talvez, eu esteja no caminho certo.

Criar meninos hoje é desafiador e um tanto quanto complexo. É equilibrar a firmeza necessária para formar um homem com a ternura de quem aprende a olhar o mundo com cuidado e gentileza.

E aí vem o causo. Meu mais velho recebeu um trabalho da escola sobre a primavera: escolher uma flor, fazer um cartaz e apresentar. Essa mãe aqui que adora uma atividade escolar, logo foi atrás da flor para que ele pudesse levar à escola e, de quebra, presentear as professoras.

Na hora da saída, veio a surpresa. O caçula — que tem a mania de entrar no carro pulando o banco da frente (sim, destruindo o couro, mas essa é uma batalha perdida que já aceitei) — deu de cara com um buquê de cravos vermelhos. Sem pensar duas vezes, pegou, cheirou e disse: “Que flores lindas, mamãe.”
Na hora, meu coração derreteu. Sabe quando você simplesmente não espera? Não que eu achasse que ele fosse ignorar o fato de ter um buquê ali, mas nem por um instante achei que ele pudesse ter a sensibilidade de logo ir cheirá-las.

Acho que essa quebra de paradigma para mim veio, pois eu logo me lembrei de um vídeo que circula nas redes, em que um homem entrega flores a mulheres na rua e finge amarrar os sapatos. Todas, quase sem exceção, cheiram as flores. É quase automático. Mas eu não achei que fosse viver essa cena com eles.

E aconteceu de novo na escola do mais velho: ele repetiu o gesto, igualzinho. De uma pureza e poesia enormes. Pode até ser bobeira minha, mas eu senti orgulho. Orgulho porque eles conseguem ver e dar valor às pequenas coisas da vida. Orgulho por perceber que o belo ainda encanta, que o simples ainda tem o seu espaço.

E, para fechar, hoje na volta da escola, o mais novo ainda disse: “Mamãe, vamos aproveitar e olhar aquelas flores?” Eu distraída perguntei: “Que flores, filho?”
E ele, sem hesitar: “Aquelas, mamãe… da tal primavera”. E assim, em mais um dia comum eu pude perceber que as sementinhas estão sendo muito bem plantadas e que, ainda que encontrem alguns desafios, com certeza irão florir.

Deixe um comentário