Me inspira · Reflexões

Foi um prazer, 2024

O ano está se encerrando e começo a já sentir a angústia: qual será meu texto de encerramento? A pressão é toda e exclusivamente minha, mas não quero perder a tradição (que eu mesma criei). Já reli cada um deles, fiz a retrospectiva das fotos do ano, escrevi os melhores acontecimentos de cada mês e, ainda assim, não senti o texto pronto para sair e tomar vida no papel. Papel não. Até pensei em escrever no caderno, mas achei que a agilidade das teclas faria fluir melhor. E aqui estamos: tentando dar vazão aos pensamentos e desejos que estão aqui dentro.

Um ano todinho, muitas experiências vividas, malas feitas e desfeitas, individuais e em família. Um ano de ajustes de rotina, novos rearranjos e redescobertas. De tempo a dois com almocinhos tranquilos que eram tão celebrados quanto marcados pela saudade da pequena bagunça diária com eles. Desse jeito mesmo, praticamente na mesma proporção. Novas rotinas, novos medos e novas conquistas.

Novos e tão desejáveis móveis. Mas, dessa vez, com muita pesquisa e com a vontade de escolher peças especiais que deverão nos acompanhar por muito tempo. A sensação da maturidade em escolher cada peça sem pressa, mas com destreza, me trouxe uma enorme satisfação. E por falar em satisfação, ela que encontrei nos meus momentos, agora já tão conhecidos e reconhecidos de solitude. Mas veja só, o Word não quer reconhecer essa palavra. A solitude foi uma peça importante do ano. Que delícia foram os meus momentos, àqueles em que estive acordada antes de todos. Os cafés apreciados sentada no meu cantinho do sofá, enquanto admirava cada pedaço do que enxergava por ali.

Os livros também cumpriram um excelente papel ao longo do ano. Entre leituras muito valorizadas, até aquelas que existiram apenas para não me deixar perder o hábito. Os hábitos. E que poder eles têm. Cuidar da saúde tem sido uma constante e olhar para o corpo como um todo também. Pensar em saúde. Viver saúde. Física e mental. Saúde essa tão essencial.

Em geral, um ano de assentamento. De valorizar o que conquistamos até agora. De sentir gratidão real. Olhar, admirar, agradecer. A palavra de 2024 foi presença. Na verdade, entrega. Pode ser as duas? Sinto que me fiz estar presente, mesmo quando a cabeça não queria. Não quer dizer que foi simples e totalmente natural. Não foi. Mas eu me dei conta. Notei quando o corpo estava ali, mas a cabeça, acostumada com o ritmo anterior, queria já estar em outro momento e me entreguei verdadeiramente a cada situação.

A maternidade faz isso comigo. Eu tenho o costume de registrar os momentos. Uma eterna briga com o Fe, que insiste em dizer que registrar é não viver o momento em sua plenitude. Para mim, é completamente o contrário. Eu registro, pois constantemente revisito as fotos e os vídeos, e as memórias mais gostosas vão criando suas raízes aqui dentro. Vão enchendo os seus potinhos. Toda vez que eu resgato alguma delas, me dou conta de como o tempo não perdoa; como as crianças já cresceram; como as conquistas já aconteceram; como as estações mudaram. Parece besteira, mas pouco me importa. Esse sentimento que vem me faz querer estar presente. Me faz querer vivenciar cada etapa com profundidade e entrega.

Por fim, 2025 está chegando e pensei muito no que queria desse ano que se inicia: colheita. Quero colher o que temos plantado até aqui. Sinto que este ano pude ver os verdinhos crescerem, as mudinhas ganhando mais corpo, mas que o próximo ano nos permitirá arrancar algumas delas, saborear, aproveitar e, ainda assim, continuar plantando novas sementes. Que seja um ano ainda mais abençoado, com Deus bem pertinho de nós, guiando cada caminho, tocando nossos corações e nos fazendo florir.

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